quarta-feira, 24 de junho de 2009

Madame Anick, sua esposa, era uma senhora de meia – idade
possuía um ar sofisticado no semblante cansado.
A pele branquíssima, os olhos azuis,
sempre pintados com lápis preto e capricho,
os cabelos ruivos presos em coque,
com alguns grampos amarrando
alguma mecha que teimava em lhe cair nos olhos.
Aparência de uma mulher rígida,
cansada pelas vicissitudes da vida,
sempre com um olhar sério e profundo,
cheia de palavras duras e secas,
em seu elegante e inimitável sotaque francês.
Madame Anick era viúva do Barão de Lion,
morto na Guerra civil espanhola.
Deixando-lhe a casa e alguns francos.
Arruinara-se pagando as toaletes da esposa,
e as perdas de seus filhos no bacará.
Pouco antes de morrer,
havia perdido os cavalos e uma quinta aos pés do D'ouro,
em uma rodada de pôquer. Como sempre,
tinha se excedido no whiskey e nos charutos,
então luxos raros para aqueles tempos difíceis. Madame Anick tinha dois filhos homens.

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