O Barão de Lion, antigo dono da casa, era um libertino dos mais efusivos. Toda vez que entrava na sala de casa, ia bradando imprópréprios e gritava indignado:
__ Não gosto dessa sala, onde cada objeto tem a solenidade sorumbática de um antepassado de cabeleira.
Abaixo a ditadura que nos impôs o bricabraque!
Sua esposa corria para salvar a prataria, e os objetos valiosíssimos banhados á ouro, dizia sempre a ele:
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__ Um dia, nossos filhos irão precisar desses objetos para algo, além de adorno. Arte também é um investimento, além de mostrar aos seus amigos, como somos ou éramos ricos. Já perdemos tudo, Jean, só no resta essas poucas pratas. As jóias já coloquei no prego mesmo. Precisamos pagar o açougue e o mercado...
__ Fale baixo Anick, não quero que os criados pensem que sou um fracassado inconseqüente. Foi pura falta de sorte, eu jogar nossos bens em uma rodada de pôquer.. Se ao menos não tivéssemos perdido as fazendas. –
Anick se irrita com o marido, bêbado e vencido pela vida. Pega uma fina bolsinha de veludo, separa alguns objetos de valor e vai rumo ao prego.


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